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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Lacuna

Quanto amor caiu em desuso e,
e se por ora, se mostra obsoleto, 
é sabido por ambos que em outros
momentos era a principal 
engrenagen que impulsionava
vida sobre nossas existências.

O amor não acabou, mas antes
foi vencido. O cotidiano da
natureza das coisas mais a 
rotina do tempo que nos arrasta
e arassa invariavelmente, 
fez desse amor apenas um 
desbotado ornamento suspenso,
dependurado em alguma
parede nua de nossos corações. 

Antes os lábios se tocavam...
hoje silenciam;
Antes os abraços sufocavam...
hoje se distanciam.

As mãos dadas, dadas a um ardor habitual
pela necessidade de sempre compartilhar 
cada caminhada, cada caminho com os
mesmos passos...
as mãos agora escondem-se pelo risco de
serem solicitadas por algum toque acidental. 

A cama um vasto deserto gélido,
e vez ou outra num intervalo 
entre a sobriedade da insônia e
a insensatez do sono, lembram-se
sozinhos, contidos cada um dentro
da sua própria reminiscência,
de um tempo em que se fartavam 
num oásis maravilhoso de delícias,
alimentando-se insaciavelmente 
um do outro. O amor era um banquete 
servido sobre o corpo de cada amante, 
e era devorado e devoravam-se e só 
se mostravam saciados quando o
orvalho da manhã já se equilibrava
sobre a relva recém iluminada pela
claridade d'aurora.

O amor caído em desuso
morre antes, e quando
isso ocorre, o casal que
fica vive a velar o
sentimento em um 
eterno velório até o fim
da vida por ambos dividida.



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