e se por ora, se mostra obsoleto,
é sabido por ambos que em outros
momentos era a principal
engrenagen que impulsionava
vida sobre nossas existências.
O amor não acabou, mas antes
foi vencido. O cotidiano da
natureza das coisas mais a
rotina do tempo que nos arrasta
e arassa invariavelmente,
fez desse amor apenas um
desbotado ornamento suspenso,
dependurado em alguma
parede nua de nossos corações.
Antes os lábios se tocavam...
hoje silenciam;
Antes os abraços sufocavam...
hoje se distanciam.
As mãos dadas, dadas a um ardor habitual
pela necessidade de sempre compartilhar
cada caminhada, cada caminho com os
mesmos passos...
as mãos agora escondem-se pelo risco de
serem solicitadas por algum toque acidental.
A cama um vasto deserto gélido,
e vez ou outra num intervalo
entre a sobriedade da insônia e
a insensatez do sono, lembram-se
sozinhos, contidos cada um dentro
da sua própria reminiscência,
de um tempo em que se fartavam
num oásis maravilhoso de delícias,
alimentando-se insaciavelmente
um do outro. O amor era um banquete
servido sobre o corpo de cada amante,
e era devorado e devoravam-se e só
se mostravam saciados quando o
orvalho da manhã já se equilibrava
sobre a relva recém iluminada pela
claridade d'aurora.
O amor caído em desuso
morre antes, e quando
isso ocorre, o casal que
fica vive a velar o
sentimento em um
eterno velório até o fim
da vida por ambos dividida.