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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Lacuna

Quanto amor caiu em desuso e,
e se por ora, se mostra obsoleto, 
é sabido por ambos que em outros
momentos era a principal 
engrenagen que impulsionava
vida sobre nossas existências.

O amor não acabou, mas antes
foi vencido. O cotidiano da
natureza das coisas mais a 
rotina do tempo que nos arrasta
e arassa invariavelmente, 
fez desse amor apenas um 
desbotado ornamento suspenso,
dependurado em alguma
parede nua de nossos corações. 

Antes os lábios se tocavam...
hoje silenciam;
Antes os abraços sufocavam...
hoje se distanciam.

As mãos dadas, dadas a um ardor habitual
pela necessidade de sempre compartilhar 
cada caminhada, cada caminho com os
mesmos passos...
as mãos agora escondem-se pelo risco de
serem solicitadas por algum toque acidental. 

A cama um vasto deserto gélido,
e vez ou outra num intervalo 
entre a sobriedade da insônia e
a insensatez do sono, lembram-se
sozinhos, contidos cada um dentro
da sua própria reminiscência,
de um tempo em que se fartavam 
num oásis maravilhoso de delícias,
alimentando-se insaciavelmente 
um do outro. O amor era um banquete 
servido sobre o corpo de cada amante, 
e era devorado e devoravam-se e só 
se mostravam saciados quando o
orvalho da manhã já se equilibrava
sobre a relva recém iluminada pela
claridade d'aurora.

O amor caído em desuso
morre antes, e quando
isso ocorre, o casal que
fica vive a velar o
sentimento em um 
eterno velório até o fim
da vida por ambos dividida.



quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Autorretrato

Teu rosto é disfarce 
de tua consciência,
e esta um perfeito 
autorretrato:
Tua consciência em
frente ao espelho, 
que espécie de
monstro te
observaria?

domingo, 24 de novembro de 2024

Metáfora de impacto

Eu não queria ser um ser vivo,
pois sempre morro de vontade
de viver ao mesmo tempo que
vivo com vontade de morrer.

Eu queria ser uma pedra,
uma rocha, ou uma montanha...

Quem sabe talvez também eu
pudesse ser um imenso cometa,
meteoro, ou asteroide...

Assim meu contato mais
próximo com essa vida seria
apenas a minha (hipotética)
queda aqui na Terra.

domingo, 10 de novembro de 2024

Esperança

Hoje é o 
melhor dia
da minha vida,
até amanhã:
-amanhã será um dia melhor!

E nunca será. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Tampouco Cachoeiras

Nenhuma superfície porosa
jamais será impermeável, e
o que isso importa para a chuva?

A dureza das rochas abaixo
jamais será importante e
tampouco foi até hoje para as 
                                       [cachoeiras.]

A água que desce dos seus olhos
quando o pranto é inevitável 
diz muito sobre o que só você sabe
                                 [porque choras.]

 E isso jamais terá alguma relação 
com a chuva quando o céu está 
pintado de um azul límpido e longe
de qualquer possibilidade de algum
cinza nublado...

tampouco cachoeiras podem
influenciar, se é do meio de um
deserto super quente ou gélido 
que você se põe a rir, sorrir ou
gargalhar.

Percebe o que a poesia tem a te dizer?

domingo, 20 de outubro de 2024

Exatidões

Em minha escrita 
toda poesia que há 
em cada letra de
cada sílaba, é:
Inexatidão!

Em minha crença
todo Eu que há 
em cada Deus
desacreditado, é:
Inexatidão!

Em minhas crises
toda tristeza que há 
em cada instante 
superestimado, é:
Inexatidão!

Em meu destino
toda pedra que há 
no caminho de cada
passo dado, é:
Inexatidão!

Em minha existência 
toda dúvida que há 
diante de cada 
certeza posta, é:
Reflexão!

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Failure Epifania

No tempo que esconde o verso
o silêncio soa como poeta
inverso, 
pois põe ruído no segundo
que se perde a inspiração. 
Faz barulho não pensar
em nada,
e no outro instante, 
explosão.